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Jogo Patológico

Jogo patológico

 

O jogo por ser de azar, e envolver dinheiro, isto faz com que aumente a competitividade deste comportamento. Estes tipos de jogos implicam um desafio para o qual o jogador deve pesar custo e benefícios de várias opções e tomar decisões, associado ao risco de perda do controle e a continuidade das apostas em condições adversas, gerando problemas emocionais, financeiros e sociais.

Dados internacionais mostram que apostar é um hábito para quase 80% da população, contudo apenas 4% desenvolverão problemas com esta atividade.

Em 1980 foi reconhecido oficialmente pelo DSMIII,o jogo patológico,  como transtorno psiquiátrico, na categoria dos transtornos do controle dos impulsos.

O jogo patológico tem sido abordado como uma dependência não química, caracterizada pela manutenção do comportamento de jogar e fazer apostas sem levar em conta os prejuízos financeiros e sociais percebidos pelo sujeito.

Shaffer, Hall e Vander Bilt ( 1999 ) classificaram a gravidade do jogo em 3 níveis:

Nível 0 – pessoas que não praticam nenhum tipo de aposta.

Nível 1 – pessoas que apostam com freqüência variada, mas não tem problemas decorrentes do jogo de azar.

Nível 2 – pessoas que apresentam problemas por conta de apostas, mas ainda não preenchem todos os critérios para confirmar diagnóstico de jogo patológico.

Nível 3 – todos jogadores patológicos,sendo mais grave quanto maior a ocorrência de problemas devidos ao jogo.

O jogo patológico apresenta um caráter progressivo, com conseqüências devastadoras a longo prazo para socialização e ajuste psicossocial.

Ainda não se tem estudos que comprovem a importância dos diferentes tipos de jogos de azar para o desenvolvimento de sua psicopatologia. Todo o jogo de azar pede uma aposta, que é empenhar um valor prevendo um resultado no futuro. Os jogos de azar podem variar quanto à previsibilidade. Os jogos de cartas dependem da capacidade cognitiva do jogador de contar, memorizar e calcular probabilidades, mas não há como ter o controle.  

Daí a importância de um reconhecimento precoce deste transtorno e seu tratamento precocemente para evitar problemas graves na parte financeira, e até social.

março 26, 2011 at 12:01 pm Deixe um comentário

Compulsão Sexual

Compulsão Sexual

Consiste no comportamento sexual exagerado, caracterizado por buscas compulsivas de várias parceiras sexuais, masturbação compulsiva, múltiplos relacionamentos sexuais, consumo exagerado de produtos (filmes ou literaturas) eróticas e uso da internet com fins de excitação sexual de forma não controlada pelo indivíduo. Esta patologia tem início no fim da adolescência ou começo da idade adulta. Sendo tardiamente diagnosticada pelo fato do paciente negar ter o problema, ou se envergonhar em falar sobre. A busca do tratamento ocorre bem mais tarde, geralmente quando aparecem as consequências negativas para vida social, pessoal e profissional do paciente.

Dentro destas práticas não saudáveis de comportamento sexual, são observados: bissexualidade, sexo grupal, sexo com profissionais, sexo por dinheiro, sexo por influência de drogas, sadomasoquismo e comportamento exibicionista.

A compulsão sexual segue uma sequência de fases:

  1. Fase 1 – fissura: a mente do paciente fica absorta em pensamentos relacionados a sexo, reduzindo a capacidade de compreensão do mundo em volta, com pensamentos focados em objetos sexualmente estimulantes.
  2. Fase 2 – Ritualização; há o desenvolvimento de uma rotina que conduz ao comportamento sexual, com excitação crescente.
  3. Fase 3 – Gratificação sexual: o paciente não consegue parar o processo de estimulação antes da satisfação, mesmo que isto envolva riscos e situações constrangedoras.
  4. Fase 4 – Desespero: o paciente é tomado por sensação de angústia, remorço, e incapacidade de conter-se após a realização do ato.

Classificação:

A compulsão sexual é classificada em: parafílica, quando existem comportamentos sexuais incomuns como exibicionismo ou fetichismo. Não-parafilica: quando estes estão ausentes.

Importante:

O comportamento compulsivo sexual é considerado uma doença. Portanto não deve ser confundido com a liberdade que cada individuo possui sobre seu corpo. Misturar estas duas situações incorre em preconceito, o que não é o objetivo desta matéria. Aqui me limito a descrever de forma didática um transtorno psiquiátrico importante, que acomete pessoas de vários níveis sociais e culturais. Sendo necessário seu conhecimento, por poder gerar graves consequências como exclusão do mercado de trabalho, problemas com a justiça e na qualidade de vida do paciente e seus familiares.

No Brasil não há informações abrangentes sobre este tema; devido a dificuldade dos portadores de procurar ajuda por vergonha ou receio. E pelo número escasso de serviços especializados para este tipo de tratamento.

As causas para o comportamento compulsivo sexual ainda não são claras, mas percebe-se a participação de alguns componentes como: epilepsia do lobo frontal, mau funcionamento de neurotransmissores como a serotonina.

Alguns autores acreditam importante o tipo de relacionamento entre mãe e filho, durante os 3 primeiros anos de vida, como uma tentativa de reparação de uma experiência sexual infantil traumática, como: abuso infantil, negligência, podem fazer com que a criança desenvolva um sentimento de menos valia, auto-estima negativa, sentimento de inferioridade, que juntos irão interferir negativamente na forma como este individuo se relaciona com as pessoas de forma afetiva. Alguns em busca de alívio de sentimentos negativos recorrem ao álcool e drogas comportamentos sexuais, alimentos, dependendo de cada um.

O afeto pode ser subdividido didaticamente em 3 partes: o motivacional, o de recompensa e o da inibição do comportamento.

Os comportamentos compulsivos estão geralmente relacionados à problemas nos sistemas que regulam os afetos (noradrenérgico, dopaminérgico e serotoninérgico). Isto é, ocorre uma dificuldade destas substancias funcionarem de forma adequada no cérebro. Fazendo com que estes indivíduos se tornem vulneráveis a afetos negativos, adquiram instabilidade emocional, facilidade para desenvolverem sentimento de irritação, inquietação e apatia. Como existe o prejuízo da capacidade do individuo de inibir comportamentos, aumenta a necessidade de prazer imediato, o que dificulta com que ele entenda os riscos e consequências negativas a médio e longo prazo. Há também a participação da genética, que pode predispor a criança nos primeiros anos de vida, acompanhada de um ambiente familiar não saudável, com seus cuidadores.

Tratamento

O tratamento deve ser feito de forma abrangente e especialmente preparado para cada caso. Com uso de medicações e psicoterapia, que pode ser individual de casal ou familiar. Deve-se avaliar a gravidade de cada caso, observando a necessidade de internamento, quando o paciente se torna um potencial risco para a sociedade.

As medicações mais utilizadas são os inibidores da receptação da serotonina, e os estabilizadores do humor, que devem ser iniciadas de forma cautelosa e ajustadas conforme a necessidade do paciente; para evitar o abandono do tratamento por se sentir impotente devido à redução da libido que estas medicações podem causar. Por isto o preparo emocional do paciente se faz necessário previamente, fortalecendo a capacidade de auto-controle, reforçando manutenção de relacionamentos interpessoais  estáveis, reduzindo as inseguranças da personalidade de cada um em particular. A procura por grupos de ajuda podem ser de grande valia para troca de experiências e percepção desta doença sobre vários aspectos em pessoas diferentes.

Os pacientes com comportamento sexual compulsivo geralmente podem apresentar sintomas de outros transtornos associados, como: depressão maior, distimia, fobias, abuso de substancias, transtorno da personalidade (paranoide, histriônica, obsessivo compulsivo), compras compulsivas, jogos patológicos. O alcoolismo pode desencadear e até encobrir os sintomas.

Evolução da doença:

A compulsão sexual gera vários problemas de ordem afetiva, familiar e no trabalho à longo prazo. Além de problemas de saúde como as DSTs /AIDS. Risco de suicídio, gravidez indesejada, violência e assédio sexual. Quando o início ocorre em idade precoce, com grande frequência de comportamento sexual inadequado, associado ao uso de álcool, e ausência de uma rede familiar estruturada, emprego e amigos, onde o paciente possa ter apoio; a doença normalmente tem uma evolução grave.

Por ter um grande impacto na vida dos pacientes, e ainda não se ter um tratamento específico que ofereça remissão, estes deve ser acompanhado por toda a vida, com medicação e psicoterapia estruturada.

Se você tem interesse em saber mais sobre seu comportamento em relação a este transtorno, abaixo seguem perguntas que devem ser respondidas de forma objetiva e detalhada. Mantendo o anonimato das respostas, que serão analisadas e enviadas para o e-mail de origem.  Enviar para conegundesmaia@hotmail.com

Perguntas:

  1. Você vem percebendo um comportamento sexual aumentado e bastante frequente, que causa sofrimento e prejuízos sociais nos últimos 12 meses?
  2. Percebe que cada vez mais necessita de praticas sexuais mais intensas e frequentes para obter o mesmo prazer de antes?
  3. Percebe sintomas físicos/ Ou psíquicos quando você evita ou se mantém algum tempo em abstinência sexual?
  4. Você fracassa em tentar controlar este comportamento?
  5. Percebe se você gasta muito tempo, energia ou recursos com atividades para obter sexo?
  6. Percebe algum prejuízo nas suas atividades sociais, no trabalho ou no lazer?
  7. Você mantém este comportamento mesmo apesar das consequências negativas que ele causa para sua vida?

fevereiro 15, 2011 at 5:11 pm Deixe um comentário

Dependência da Internet

Dependência da Internet

É um tipo de comportamento prejudicial, recentemente descoberto cujo os estudos ainda são escassos na literatura mundial. E ainda não existe um diagnóstico definido pela associação de psiquiatria. Sendo geralmente enquadrado entre os transtornos do controle do impulso. Sendo geralmente associado a outras co-morbidades psiquiátricas. Foi descrito inicialmente em 1990, através da observação de alguns pacientes com comportamento problemático. Teve sua primeira identificação em 1996, por Young, sendo chamada de “dependência da Internet”. Trata-se de uma dependência não-química – comportamental. Onde não há a presença de nenhum fator externo, como substâncias psicoativas atuando. E provavelmente ausência de lesões em estruturas cerebrais. Devendo ser entendida como um modo inadequado de relacionamento psicológico do uso do computador, geralmente em resposta a estados emocionais negativos.

Os dados do IBOPE/2007, mostraram que no Brasil, os internautas assumiram a liderança, dentre as populações que mais navegam no mundo.

Consiste em comportamento obsessivo pela Internet, cujo paciente não consegue controlar. Gastando grande parte do seu tempo on-line,  cerca de 4 a 10 horas por dia e 10 a 14 horas nos fins de semana (heavy users), atrapalhando nas relações interpessoais, familiares, afetivas e no trabalho. Também na saúde: alimentação e sono, pois o paciente deixa de comer e de dormir por causa da necessidade de permanecer on-line.

Os pacientes sentem necessidade de permanecerem on-line por períodos prolongados de tempo, tendo extrema dificuldade em desconectar e controlar o tempo de uso da rede. O conteúdo procurado é bem vasto, sendo salas de bate papo, jogos, sites de compra, sites eróticos, sites de relacionamento e e-mails. A forma como cada paciente utiliza a Internet gera dois tipos específicos de uso patológico:

  • Uso patológico específico: onde o padrão observado é o uso abusivo de funções específicas da Internet como acesso irrestrito a sites eróticos, jogos compras e outros.
  • Uso patológico generalizado: também ocorre o uso abusivo da rede, permanecendo on-line mas sem nenhum foco definido.

Os dependentes experimentam uma necessidade irresistível de se conectar, que gera uma sensação de alívio e prazer. Quanto isso não acontece ou o dependente é limitado de usar a rede, ele experimenta uma sensação de instabilidade emocional e grande irritabilidade. Estudos revelam que estes pacientes apresentam algumas características em comum como: ansiedade, dificuldade de relacionamento social e familiar, auto-estima rebaixada, pouca confiança em si mesmos, história prévia de depressão, transtorno fóbicos, dependência química, alcoolismo, jogo compulsivo e transtorno da alimentação. Dentre os usuários adolescentes, estudos mostraram uma susceptibilidade a tendências suicidas e depressão, pouco relacionamento com amigos, baixa auto-eficácia, auto-avaliação negativa, ansiedade social e dependência de substâncias.

Nestes pacientes a história psiquiátrica familiar é bem rica, apresentando quadros diagnosticados de transtorno do controle dos impulsos, transtorno bipolar, transtorno depressivo maior.

A causa do desenvolvimento desta dependência ainda não esta bem clara e existem teorias que apontam para a fragilidade do apoio familiar, como sendo importante para que estes pacientes desenvolvam uma interpretação errada de si mesmos, e do mundo, gerando insegurança, e dificuldades de adaptação, problemas conjugais e conflitos profissionais. Preferindo ficarem sózinhos, ou manter um contato virtual, no qual se sentem menos expostos com mais liberdade de elaborar situações que lhe causem mais segurança. Também percebe como componente importante no desenvolvimento da dependência a falta ou dificudade de perceber recursos para encontrar satisfação ou dificuldade para lidar com estados afetivos internos desagradáveis. O que limita os meios usados como estratégias para contato com o mundo externo.

Não existe ainda critérios que possam ser usados para o diagnóstico de dependência da Internet, devido ser uma situação recente e sem estudos científicos publicados. Grande dilema consistem em perceber se as co-mobirdades experimentadas pelo paciente favorecem o desenvolvimento da dependência, ou o contrário.

Tratamento

Não existe ainda um consenso no tratamento deste transtorno, para que seja seguido. No entrando a abordagem dos sintomas apresentados pelo paciente e tratamento dos mesmos (quadros ansiosos, afetivos) é a principal função da medicação. Além da redução de fatores que facilitem ou agravem a dependência.

Quadros depressivos devem ser tratados, bem como os de ansiedade e fobia. O transtorno de hiperatividade e déficit de atenção, pode pré-dispor a dependência, pelo fato da Internet se comportar como um estimulo fácil de se compreender e concentrar.

Tratamento psicoterápico

Se mostra promissor no auxilio medicamentoso. Com suas diversas possibilidades de abordagem. Mas todas visam o mesmo objetivo que é moderar e estabelecer o uso controlado da Internet. Pode ser feita individualmente, em grupo de auto-ajuda.

Como se trata de uma dependência com apenas 10 anos de observação, fica difícil se estabelecer de forma efetiva como os pacientes se comportam ao longo dos anos. O que parece inicialmente é que esta dependência tende a causar prejuízos a longo prazo, sendo identificado e tratado de forma tardia. Ficando bem claro que a intenção não é privar o paciente das vantagens da tecnologia.

fevereiro 15, 2011 at 4:59 pm Deixe um comentário

Tricotilomania (mania por arrancar pelos do corpo)

Tricotilomania

http://youtu.be/mhPP2CWNSXM

Não é um comportamento raro e é caracterizado pelo ato auto-agressivo anormal de arrancar compulsivamente os fios de cabelos ou pelos do corpo. Seguindo um impulso mórbido, por algum motivo específico. É associado a situações assustadoras, de estresse,  depressivas ou em meio a tumultos emocionais.

Este transtorno foi descrito apenas em 1889, por um dermatologista francês François H. Hallopeau, que escreveu sobre uma jovem paciente que arrancou os pelos do corpo. O termo vem do grego trix (cabelo), tillein (arrancar), mania (loucura).

Algumas características emocionais da tricotilomania foram listadas abaixo:

  1. Comportamento recorrente de arrancar cabelos, causando perda perceptível capilar, associada a tensão crescente antes do ato de arrancar o fio, ou quando o paciente tenta resistir ao impulso.
  2. A sensação de alívio ou prazer pode vir após a retirada do fio
  3. Há para o paciente um sofrimento importante, ou prejuízo do funcionamento social ou profissional.
  4. O pelo arrancado pode ser de qualquer parte do corpo, e de maneira frequente em vários locais.
  5. As áreas mais afetadas são: couro cabeludo, cílios, sobrancelhas, região púbica, extremidades, axilas e abdome.

Há descrições de situações que predispõem ou estimulam o ato de arrancar os fios, como: situações contemplativas (assistir televisão, dirigir, deitar na cama, falar ao telefone), atividades sedentárias, sentimentos afetivos negativos. Pode estar intensificado antes da menstruação, por doenças da infância, dificuldades acadêmicas ou na escola, morte doença pou dano familiar, rivalidade entre irmãos, mudança de residência, separação dos pais, afastamento de amigos.

Normalmente estes pacientes apresentam outros comportamentos anormais como: arrancar cutícula, contrair a face, morder a junta do dedo, chupar o dedo polegar, mastigar ou morder a língua, bruxismo, bater a cabeça, masturbação, balançar o corpo, beliscar, morder ou torcer os lábios. Muitos pacientes sofrem com forte sentimento de vergonha e constrangimento e tentam disfarçar a perda de cabelo com perucas, penteados e maquiagens. Evitando atividades sociais como nadar, dançar, praticar esportes e situações afetivas íntimas onde a perda de cabelo possa ser exposta. Este comportamento de negar a doença, faz com que a procura de ajuda seja retardada.

Alguns pacientes após o ato de arrancar o fio tendem a passar pelos lábios ou até comer parte deles (ticofagia). A ingestão completa pode causar uma condição grave e cirúrgica como o desenvolvimento de um tumor no intestino. O tricobenzoar gástrico intestinal.

Há poucos estudos sobre este assunto, mas acredita que ele é mais comum do que se pensa. No Brasil não temos nenhum estudo ainda. A maior parte das pessoas que buscam tratamento são mulheres adolescentes e adultas. As mulheres são acometidas cerca de nove vezes mais do que os homens. Tendo a idade média de início por volta dos 13 anos. Quando o início ocorre na infância o tratamento é mais fácil, quando o início é tardio, torna-se uma condição mais grave e resistente a tratamentos, geralmente associada a outras patologias como transtorno do humor, da ansiedade, abuso de dependências de drogas, transtorno da alimentação e transtorno dismórfico corporal (visão deturpada de si mesma). Transtorno de personalidade. A história familiar do paciente há evidências de TOC, além de depressão e tiques.

Existem várias teorias sobre a causa desta doença, mas não existe nenhum consenso entre elas. Podem aparecer algumas alterações cerebrais em ressonância nuclear magnética, e até ter relação com a síndrome de Tourette.

Tratamento

Pode ser usado medicações que atuam em boa parte nos sintomas desagradáveis associados a tricotilomania, como ansiedade, depressão. São eles: lítio, clopormazina, amitriptilina, buspirona, IMAOS, venlafaxina, os inibidores da receptação da serotonina são os mais usados, como a fluoxetina. A clormipramina é o antidepressivo tricíclico mais usado. A Olanzapina mostrou ser eficaz em alguns pacientes.

O tratamento psicoterápico com emprego de técnicas comportamentais como biofeedback, exercícios de aversão, extinção, hipercorreção, prevenção da resposta, são efetivos em um tratamento em longo prazo. A hipnose pode ser útil em pacientes sugestionáveis. O treinamento de reversão de hábitos pode ser usado. Sempre na intenção de provocar no paciente um comportamento de autocontrole, auto-relato, automonitoração.

Como a doença vai se comportar ao longo dos anos ainda é incerto. Embora alguns casos apontem para um desenvolvimento crônico sem remissão completa. Mas isto dependerá do início do quadro, área comprometida e outros transtornos associados. O tratamento ainda esta em fase de aprimoramento, sendo novas descobertas possíveis.

fevereiro 13, 2011 at 2:04 am 1 comentário

Cleptomania

Cleptomania

É caracterizada pela falta de controle do impulso de furtar objetos desnecessários, ou sem valor financeiro. Sendo estes muitas vezes guardados ou dados a terceiros, ou mesmo jogados fora. Alguns pacientes podem ate sentir desejo de usá-los, mas geralmente não precisam deles.

O ato do furto é antecedido por uma grande tensão, que é seguida de alívio, prazer e gratificação, pelo ato furto, seguido por uma sensação de vergonha e culpa. Muitos escondem tal comportamento de seus familiares e protelam a procura de ajuda por este fato. Eles percebem que seus atos são errados, mas referem ser atos automáticos, hábitos, e não consideram a possibilidade de serem presos. Cerca de 64 a 87% destes são pegos em flagrante, representando isto durante a vida de um paciente, cerca de 3 vezes.

Os objetos mais comumente roubados são: roupas, alimentos, jóias, cosméticos, dinheiro.

A primeira descrição deste transtorno foi feita no século XIX, e a palavra tem sua origem no grego “kleptomanie” “loucura de roubar”. Apenas em 2002, foi classificada entre os transtornos do controle dos impulsos, juntamente com o jogo patológico, piromania, transtorno explosivo intermitente e tricotilomania.

A cleptomania acomete mais o sexo feminino, geralmente as mulheres sendo encaminhadas para os psiquiatras quando flagradas e os homens sendo presos. Tem início entre o fim da adolescência e o inicio da idade adulta. E não há diferença de comportamento entre as classes sociais.

A causa ainda é desconhecida, mas há evidencias do mau funcionamento de sistemas cerebrais dopaminérgicos, serotoninérgicos e noradrenérgicos, além de algumas lesões em áreas específicas do cérebro, como o córtex pré-frontal, hipotálamo, tálamo, amigdalas e gânglios da base, entre outras.

O diagnóstico deve ser feito por um profissional obedecendo a alguns critérios. Estes estarão no fim do texto, caso queiram responder, poderão fazer e enviar a resposta via e-mail, para posterior análise.

O tratamento é feito de forma individualizada, e baseada no comportamento do paciente, frequência do ato, horário, tempo despendido e prejuízos sociais. Temos a ajuda de medicações, embora nenhuma seja considerada pelo FDA como específica para cleptomania. Podem ser usados alguns antidepressivos tricíclicos, inibidores da receptação da serotonina, estabilizadores do humor. Ex.: fluoxetina, nortriptilina, clonazepam, valproato, lítio, fluvoxamina e paroxetina, topiramato, naltrexona, imipramina. Além disso, o tratamento psicoterápico auxiliar com técnicas cognitivas comportamentais é de grande importância.

Com relação ao curso do desenvolvimento da doença, há poucos estudos. Mas se observa que o paciente pode ser comportar de três formas: esporádica, com episódios breves e longos períodos sem fazer. Episódicos, com longos períodos de furto e períodos de remissão. Crônico.

Geralmente a cleptomania está associada a um outro transtorno psiquiátrico, como por exemplo: transtornos afetivos, transtorno bipolar, transtorno de ansiedade, transtorno devido a abuso de substâncias, transtornos alimentares, e de personalidade; comumente paranoide e histriônica.

Obs.: existe um subgrupo chamado de “distúrbio multimpulsivo” onde coexistem a bulimia nervosa, cleptomania, jogo patológico, e promiscuidade sexual (Grant, 2006).

Teste para diagnóstico de cleptomania

As perguntas abaixo devem ser respondidas de forma escrita e com detalhes, sendo enviadas para o email: conegundesmaia@hotmail.com. Com prazo de resposta e orientação variando em uma semana. Suas respostas serão mantidas em sigilo médico.

1.  Você percebe fracasso ou dificuldade constante em resistir ao impulso de furtar objetos desnecessários?

2.  Qual a sensação que você sente logo após o furto do objeto escolhido?

3.  O ato de furtar vem por causa de um sentimento de raiva ou de vingança?

4.  Você tem algum diagnóstico de transtorno psiquiátrico ou percebe que possa ter um, mas ainda não procurou ajuda de um especialista?

fevereiro 13, 2011 at 12:51 am Deixe um comentário

Amor Patológico

Falaremos aqui sobre uma manifestação de afeto onde o indivíduo não tem o controle sobre seus atos, agindo de forma impulsiva, causando sérias consequencias nos relacionamentos. O  amor pode ser entendido sobre diversas formas. O amor filial, amor sensual, amor físico e carnal, amor ao próximo… Em todas estas formas, o sentimento do amor faz com que se queira bem a coisa ou objeto desejado. Entender o Amor patológico é dificil, pois se trata de algo complexo, ainda pouco estudado.Que ainda não possui um diagnóstico oficial.

Para Freud,o amor, era entendido  de uma forma mais ampla, além da sexualidade. Como sendo um conjunto de processos mentais desenvolvidos pela pessoa,  com o objetivo de ter satifação para com o objeto de desejo.

O amor patológico, faz parte do grupo de transtornos do controle dos impulsos, e é caracterizado pelo excesso de atenção, preocupação e cuidados para com o parceiro. De forma descontrolada, sofrida, e repetitiva. Onde o objeto do afeto é colocado como prioridade em sua vida, acima de todos os outros  interesses antes existentes.  O  paciente com este transtorno vive para o objeto de afeto, com condutas  excessivas e sufocantes, na  esperança receber de volta um alívio de seus sentimentos pessoais negativos de angustia e menos valia. Percebem que dão mais do que recebem, e sofrem com isto. Criando um comportamento onde se vê claramente, e de forma repetida, prejuízos na vida pessoal,  profissional, social, e de seus familiares.

Este transtorno acontece em ambos os sexos, sendo mais observado em mulheres.  Muitos negam ou desconhecem estar doentes, e a necessidade de serem tratados. É particularmente  interessante observar a associação deste, entre dependentes de alcool e outras substancias e suas parceiras. O que muitas vezes pode causar prejuízo ao tratamento.

Com a intenção de facilitar a suspeita deste transtorno, algumas comportamentos serão descritos, e  quando manifestados em conjunto, são indicativos do amor patológico. Portanto se você costuma sentir angustia, taquicardia, suor ou outros sintomas somáticos ( do corpo ) de forma intensa, quando se desentende com seu parceiro. Ou apresnta preocupação exagerada e fora de controle com a vida deste, despendendo muito do seu tempo, com a sensação de não retribuição, e angústia. E mesmo assim não consegue diminuir a intensidade desta atenção e cuidado. Ou se você deixa de  priorizar seus objetivos e atividades de que gosta, devido ao relacionamento, abrindo mão de seus próprios planos, e sonhos…  É bom procurar ajuda especializada.

Estudos mostraram que a determinação da preferência de um parceiro, por uma pessoa, é regulada por algumas substancias cerebrais.Observa-se  dois sistemas de regulação de substâncias cerebrais envolvidos.  Sistema Dopaminérgico(  que também responde pelos comportamentos relacionados ao apetite), e  o sistema Ocitocina – Vasopressina-opióides endógenos. Onde a ocitocina e a vasopressina atuariam na preferência por determinado parceiro, e os opióides endógenos, na sensação de prazer da consumação do ato sexual e em alguns comportamentos instintivos.

O amor patologico pode estar associado a outros transtornos como depressão, ansiedade, e da personalidade dependente. Autores sugerem que estes indivíduos possuem baixa auto-estima, uma personalidade vulnerável, com sentimentos de rejeição, abandono e raiva.

Com relação aos sintomas, há muitas controvérsias entre os autores.  Além de algumas teorias. Uns acham que os sintomas se devem à ansiedade ou à depressão. Outros associam com o comportamento  obsessivo-compulsivo.

Sabendo que o diagnóstico deve ser feito por um especialista, existem algumas informações importantes que valem a pena serem colocadas aqui, que fazem parte deste transtorno:

  • abstinência: é representada pela sintomas que o paciente vivência quando esta longe física ou emocionalmente do parceiro ou corre risco de abandono. São eles, insônia, taquicardia, tensão muscular …
  • sensação de estar cuidando do parceiro, em intensidade e quantidade maior do que inicialmente pretendia fazê-lo
  • fracasso nas tentativas de reduzir ou parar de prestar a atenção ao parceiro
  • grande gasto de tempo, energia e empenho  pessoal, focado no controle das atividades do parceiro
  • abandono de atividades, objetivos e interesses e realizações pessoais e profissionais, para viver em função da vida do parceiro
  • mesmo sabendo de todo os prejuízos na qualidade de vida decorrentes deste comportamento, o indivíduo não consegue mudar de conduta.

Curiosidade: A sensação de receber afeto e atenção do parceiro causa no cérebro (SNC), um estado de euforia, devido a liberação de uma substancia específica, fenilitilanima. Esta é encontrada no chocolate. Daí a necessidade de pessoas com comportamento de amor patológico recorrerem ao chocolate, em situações de ausência do companheiro. Sensação semelhante esperimentada com uso de anfetaminas.

Não há tratamento especifico ou medicação recomendada, pois ainda se trata de uma doença sem diagnóstico formalizado. Contudo, o alívio dos sintomas de ansiedade, impulsividade e alteração do humor, devem ser priorizados. Podendo ser usados os antidepressivos e estabilizadores do humor.

O acompanhamento com psicoterapia é importante para identificação de acontecimentos passados que de certa forma sejam responsáveis pelas atitudes assumidas pelo paciente na fase adulta. Pois o amor manifestado na fase adulta é resultado de experiências vividas e aprendidas  na infância em relação a mãe ou responsável. Portanto comportamentos maternos ou de responsáveis, distintos, geram reflexos distintos de como a criança irá entender o amor na fase adulta. Crianças cujas mães não ofereciam proteção quando solicitadas, com constantes rejeições, levariam a adultos que emocionalmente são obrigados a viver de forma auto-suficiente, sem amor ou ajuda  de outros. podendo até receber um diagnóstico de narcisista. Crianças cujos pais estão disponíveis parcialmente, convivendo em ambiente de ameaça de abandono, com grande insegurança; levaria a formar adultos inseguros e ansiosos nos relacionamentos amorosos.

A psicoterapia pode ser usada para a abordagem dos sentimentos dolorosos de abandono, medo e raiva, na intensão de tornár-los menos intensos, e mais toleráveis. O que fortaleceria o paciente para suportar a ausência do parceiro.

A terapia de casal é outra forma de abordagem eficaz no tratamento do portador de amor patológico e de seu parceiro. Que deve ser feita de forma individualizada para o tipo de relacionamento do casal.

O Psicodrama, é um tipo de psicoterapia que tem obtido bons resultados nestes casos. Onde o paciente é levado a viver a realidade, diferenças, conflitos, e estimulado a buscar alternativas de soluções. Onde temos o PAAP ( programa de análise psicodramática para amor patológico), que visa o alivio de sentimentos negativos e de angustia, promove uma auto-avaliação e questionamento, identifica a raíz da doença manifestada no parceiro, melhorando o relacionamento afetivo, familiar e social.

O amor patológico inicialmente se manifesta como uma sensação de alívio da angústia gerada pela carência afetiva da infância, com liberação de substancias cerebrais que reduzem os sintomas depressivos. Com o tempo, a medida que o relacionamento passa por períodos de distanciamento ( reais ou não reais ), e | ou ameaças de abandono, pelo ambiente desgastante e tumultuado, o paciente  experimenta grande carga de angústia, sofrimento e desespero, podendo acontecer brigas e rompimentos. A sensação de melhora só ocorre quando o paciente tem o controle ( real ou emocional) sobre a vida do parceiro. Há prejuízo na área profissional, pessoal, familiar, que é agravado caso esteja associado a depressão, abuso de álcool e drogas.

dezembro 19, 2010 at 5:59 pm Deixe um comentário


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